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domingo, abril 23, 2006

Brutal!

Foi um esforço brutal, ainda não sei como consegui terminar, muito duro mesmo. Às 09:30 foi dada a saída, depois de um pequena volta no centro da cidade de Esposende lá nos dirigimos para a serra, larguei forte, talvez entre os cinquenta primeiros. Nos primeiros 10 quilómetros o objectivo é não cair, vamos a rolar praticamente em pelotão, roda com roda, ao mínimo descuido acabamos por tocar na roda do da frente e chão, de maneira que tomei alguns cuidados. Se tinha tomado alguns cuidados ao início, ao quilómetro 12 quase acaba a minha participação nesta maratona, queda aparatosa numa descida a grande velocidade, como se costuma dizer “tesão do mijo”, lá me levantei para ver se a bicicleta estava bem, montei e lá ganhei coragem para olhar para as mazelas, nas pernas apenas pequenos arranhões, no braço muito sangue a escorrer, pego na garrafa, um bocado de água com “Isostar” para cima e siga, mais a frente uma menina da Cruz Vermelha ainda me fez sinal para parar, mas como não doía, não se pode perder tempo, “siga a marinha”. Lá para o quilómetro 20, agradável surpresa, o mundo é pequeno, encontrar um amigo remador do Porto no meio de mais de 600 participantes, o Samuel Aguiar, colega de selecção em 1996, e remador Olímpico, assim lá fizemos uns bons 20 quilómetros juntos, até que ele me disse para seguir que ia baixar um pouco o ritmo. A partir do quilómetro 45, rodei algum tempo sozinho, sem ver ninguém á minha frente nem atrás, na total solidão, quando assim é o esforço parece ainda maior, chegamos várias vezes a pensar que estamos perdidos na serra, além disso temos de estar sempre com o dobro da atenção para vermos a fitas da organização que se encontrão atadas às árvores, para marcar o percurso a seguir, volta e meia lá ficava na dúvida se as fitas marcavam o percurso da direita ou o percurso da esquerda, e lá se perdia uns segunditos. Quilómetro 50, começa o calvário, começam as pequenas ameaças de cãibras nas pernas, estávamos na parte mais difícil de toda a maratona, uma subida descomunal, além da brutal inclinação, muito técnica com pedras por todo o lado, até que mais ou menos no quilómetro 54, só me restou atirar-me para o chão, nem os encaixes dos pedais consegui tirar, de maneira que cai todo junto, uma cãibra como nunca tinha sentido, os músculos da perna direita saíram todos fora do sitio, só não comecei a chorar com as dores porque tinha vergonha que alguém me visse. Depois de uns bons 10 minutos, deitadinho num “colchão” de erva húmida, ter aproveitado para beber e comer mais descansado, ter observado ai uns bons 20 participantes a passar em frente a mim, praticamente todos eles me perguntaram se estava tudo bem comigo, de louvar este espírito que sempre reina durante toda a prova, lá me levantei, montei e segui. Até concluir a dura subida, mais ou menos ao quilómetro 65, foi terrível, sempre que a inclinação aumentava tinha de desmontar da bicicleta e fazer a subida a passo, não queria por nada deste mundo voltar a ter uma cãibra daquelas. Toquei o tecto da maratona, mais ou menos a 500 metros de altitude, a partir daí, salvo alguma subida daquelas que à vista não parecem duras, mas com tantos quilómetros nas pernas moem tudo, era sempre a descer e a plano até à meta, as ameaças de cãibras agora tinham passado das pernas para os braços, com os travões já muito gastos resolvi não correr riscos, e perdi algumas posições durante a descida. A partir do quilómetro 80, sempre plano, ai consegui recuperar um pouco o ritmo, passei alguns dos “kamikazes” que me tinham passado na descida, até que entrei num grupo de uns 10 ciclistas, e aí fiz cerca de uns 15 quilómetros. Faltavam apenas cinco quilómetros, já não tinha água, as cãibras tinham voltado, rodava numa zona de muita areia, volta e meia lá apanhava um susto, e então resolvi baixar o ritmo para puder passar a meta mais ou menos composto, assim aconteceu, com mais de seis horas e vinte minutos nas pernas, não sei se consegui ficar entre os cem primeiros, mas depois de tudo que passei, objectivo cumprido, terminei a minha primeira maratona, pró ano se conseguir participarei novamente, ai espero fazer melhor, vou-me preparar melhor, como em tudo, a primeira vez é sempre para aprender.

1 Comments:

At 21 julho, 2006 14:20, Anonymous Anónimo said...

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